terça-feira, 8 de maio de 2012

Vamos apostar na radioproteção




FACULDADE DE TECNOLOGIA DO AMAPÁ – META
PROF. WESLLEY LIEVERSON

RADIOPROTEÇÃO

1.       INTRODUÇÃO
Tendo em vista os danos biológicos causados pela exposição à radiação, tornou-se necessário estabelecer meios de proteção aos que trabalham com a radiação e à população em geral.
Foram criados organismos internacionais como a “INTERNATIONAL COMMISSION ON RADIOLOGICAL PROTECTION” (ICRP) e a “INTERNATIONAL COMMISSION ON RADIATION UNITS AND MEASUREMENTE” (ICRU), que definem as grandezas de medida da radiação e suas unidades e estabelecem os limites máximos permissíveis de dose para os que trabalham com radiação e para o público em geral.
E NO BRASIL?
No Brasil, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) é a responsável pela legislação e pela fiscalização do uso da radiação. Ela elaborou normas, conhecidas como “Normas Básicas de Proteção Radiológica”, que regem o uso da radiação no país.
GRANDEZAS DE RADIAÇÃO
Três grandezas físicas são definidas para medir a radiação:
Ø  Exposição
Ø  Dose absorvida
Ø  Dose equivalente
TABELA DE QUALIDADE PARA DIFERENTES TIPOS DE RADIAÇÃO
Tipo de radiação
Fator de qualidade Q
Raios x, raios gama e elétrons
1
Nêutrons e prótons
10
Partículas alfa e de carga superior a 1
20
 
LIMITES MÁXIMOS PERMISSÍVEIS
Os limites máximos permissíveis são estabelecidos de forma a restringirem os efeitos somáticos nos indivíduos expostos, na sua descendência direta e na população como um todo.
A CNEN e a ICRP recomendam, então limites de doses equivalentes para os trabalhadores com radiação e para o público em geral.
v  Trabalhador – é qualquer indivíduo adulto que poderá ser irradiado, de maneira regular ou ocasional, durante e em conseqüência de seu trabalho.
v  Indivíduos do público – essa categoria é caracterizada por indivíduos que vivem nas imediações de instalações nucleares.
v  População como um todo – população inteira, compreendendo trabalhadores, indivíduos do público e a população geral.
v  População geral – população na sua parte maior e comum, excluindo trabalhadores e indivíduos do público.
PRECAUÇÕES
Visam evitar exposições internas ou exposições externas
Enfatizaremos as precauções para exposições externas...
EXPOSIÇÕES EXTERNAS
Ocorre quando o organismo for irradiado por uma fonte externa a ele. Três fatores devem ser levados em conta para diminuir o risco devido a essas exposições:
Ø  Tempo (t)
Ø  Distância (d).
Ø  Blindagens apropriadas.
De uma forma geral, pode-se dizer que a exposição X é diretamente proporcional ao tempo e inversamente proporcional ao quadrado da distância em relação à fonte, considerada como puntiforme, isto é:

Para diminuir as exposições externas, as seguintes precauções devem ser tomadas:
Ø  Permanecer o mínimo tempo possível próximo à fonte de radiação;
Ø  Trabalhar à máxima distância possível da fonte;
Ø  Usar blindagens adequadas, para diminuir ou para atenuar completamente a radiação.
DOSE EQUIVALENTE EFETIVA
Classe popular
Limite máximo permissível
Trabalhadores com radiação
50mSv/ano
Indivíduos do público
5mSv/ano
Gestantes (superfície do abdome)
2mSv/gestação
Feto
1mSv/gestação
Estudantes entre 16-18 anos (estagiários)
0,006Sv/ano

DOSE EFETIVA PARA EXTREMIDADES
Classe popular
Dose
Trabalhadores com radiação
0,5 Sv/ano
Estudantes
0,15 Sv

DOSÍMETROS
São monitores individuais de dose, pessoais e intransferíveis, e servem para quantificar a exposição do operador (técnico, tecnólogo, médico) à radiação ionizante na jornada de trabalho.
DOSÍMETRO PADRÃO
Dosímetro de leitura indireta, mantido fora do alcance da radiação produzida no serviço, utilizado como base para correção da radiação de fundo nos dosímetros individuais, incluindo qualquer exposição durante o trajeto.
PARA ONDE SÃO ENVIADOS OS DOSÍMETROS?
São enviados para instituições nacionais credenciadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), para a sua calibração e avaliação, normalmente, a cada mês.
ONDE DEVEMOS POSICIONAR DOSÍMETRO?
A monitoração geralmente é feita com dosímetro na forma de crachá, posicionado na parte mais exposta à radiação, geralmente no tórax.  A portaria 453 recomenda que o dosímetro deve estar posicionado na área mais exposta do tronco. No caso da utilização de avental de plumbífero, deve ser posicionado na lapela, por fora do avental.
FILMES DOSIMÉTRICOS
A radiação produz alterações na densidade (enegrecimento) do filme revelado. Desta forma pode-se quantificar a exposição de radiação.
O uso de filtros ajuda a separar exposições de radiações menos penetrantes (beta) de daquelas mais penetrantes (gama).
DOSÍMETROS TERMOLUMINESCENTES
O material termoluminescente utilizado é baseado no uso de cristais nos quais a radiação ionizante cria pares de elétrons e lacunas. A partir de um processo térmico, fótons são liberados, podendo ser coletados por uma fotomultiplicadora. A quantidade de fótons liberados é proporcional a população original de cargas.

1.       EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO

Decorrem do poder de ionização da radiação. A ionização pode causar danos diretos e indiretos. Podem ainda ser divididos em somáticos e hereditários.
EFEITOS SOMÁTICOS
São aqueles que não são transmitidos às linhagens seguintes. Dividem-se em:
Imediatos – podem ser observados pouco tempo após o organismo ser submetido a altas doses de radiação por um curto período de tempo. Ex. SAR
Tardios – podem ser observados após um período de latência (20 anos ou mais). Ex. CA
EFEITOS HEREDITÁRIOS OU GENÉTICOS
São transmitidos aos descendentes dos indivíduos irradiados por alterações introduzidas na molécula de DNA.
Entre os efeitos hereditários podemos citar: anidria (ausência da íris do olho), albinismo, hemofilia, daltonismo, síndrome de Down.
EFEITO TERATOGÊNICO
Podem ocorrer a partir da exposição de embriões ou fetos à radiação, determinando alterações na formação do organismo.
MECANISMOS DE AÇÃO DAS RADIAÇÕES IONIZANTES
Os efeitos biológicos produzidos pela ação das radiações ionizantes no organismo humano são resultantes da interação dessas radiações com os átomos e as moléculas do corpo. Nessa interação, o primeiro fenômeno que ocorre é físico e consiste na ionização e na excitação dos átomos, resultante da troca de energia entre a radiação e a matéria. Seguindo-se a este, ocorre o fenômeno químico que consiste de rupturas de ligações químicas nas moléculas. A seguir aparecem os fenômenos bioquímicos e fisiológicos. Após um intervalo de tempo variável aparecem as lesões observáveis, que podem ser no nível celular ou no nível do organismo como um todo. Na maioria das vezes, devido à recuperação do organismo, os efeitos não chegam a tornar-se visíveis ou detectáveis.
Um dos processos mais importantes de interação da radiação no organismo humano é com as moléculas de água. Esta importância é consequência da quantidade de água presente no organismo humano (aproximadamente 70 % do corpo humano).
Quando a radiação interage com as moléculas de água do organismo humano, essas moléculas se quebram formando uma série de produtos danosos ao organismo, como os radicais livres e a água oxigenada. Esse processo é chamado de radiólise da água.
CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS EFEITOS BIOLÓGICOS DAS RADIAÇÕES IONIZANTES
Estão ligadas ao tipo e tempo de resposta no organismo, bem como a capacidade de recuperação ou transmissão desses mesmos, a dose recebida e a sensibilidade do tipo de tecido afetado.
Especificidade – Os efeitos biológicos das radiações ionizantes podem ser provocados por outras causas que não as radiações, isto é, não são característicos ou específicos das radiações ionizante. Outros agentes físicos, químicos ou biológicos podem causar os mesmos efeitos. Exemplo: O câncer é um tipo de efeito que pode ser causado tanto pelas radiações ionizantes como por outros agentes.
Tempo de latência – É o tempo que decorre entre o momento da irradiação e o aparecimento de um dano biológico visível. No caso da dose de radiação ser alta, esse tempo é muito curto. Os danos decorrentes da exposição crônica, doses baixas com tempo de exposição longo, podem apresentar tempos de latência da ordem de dezenas de anos. O tempo de latência é inversamente proporcional à dose.
Reversibilidade – Os efeitos biológicos causados pelas radiações ionizantes podem ser reversíveis. A Reversibilidade de um efeito dependerá do tipo de célula afetada e da possibilidade de restauração desta célula. Existem, porém, os danos irreversíveis como o câncer e as necroses.
Transmissibilidade – A maior parte das alterações causadas pelas radiações ionizantes que afetam uma célula ou um organismo não são transmitidos a outras células ou outros organismos. Devemos, porém, citar os danos causados ao material genético das células dos ovários e dos testículos. Esses danos podem ser transmitidos hereditariamente por meio da reprodução.
Dose limiar – Certos efeitos biológicos necessitam, para se manifestar, que a dose de radiação seja superior a um valor mínimo , chamada de dose limiar. Temos também os efeitos que não necessitam de uma dose mínima para se manifestar. Como exemplo podemos citar a anemia cuja dose limiar é de 1 Sv e todas as formas de câncer que teoricamente não necessitam de uma dose limiar.
Radiossensibilidade – Nem todas as células, os tecidos, os órgãos e os organismos respondem igualmente à mesma dose de radiação. As diferenças de sensibilidade observadas seguem a “lei de Bergonie e Tribondeau” a qual diz: “a radiossensibilidade das células é diretamente proporcional a sua capacidade de reprodução e inversamente proporcional ao seu grau de especialização”. Por exemplo, a pele e as células produtoras de sangue.

1.       CLASSIFICAÇÃO DOS EFEITOS BIOLÓGICOS

Podem ser classificados de acordo com as condições sob as quais eles aparecem, em:
Determinísticos – Os efeitos determinísticos são aqueles cuja gravidade aumenta com o aumento da dose e para os quais existe um limiar de dose, como exemplo podemos citar a anemia, a catarata, as radiodermites etc. A curva característica deste tipo de efeito é mostrada na figura ao lado. Resumo: relação direta dose-efeito.
Estocásticos – Os efeitos estocásticos são aqueles para os quais a probabilidade de ocorrência é função da dose, não apresentando dose limiar. Como exemplo, podemos citar o câncer e os efeitos hereditários. Resumo: relação probabilística dose-efeito.

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