FACULDADE DE
TECNOLOGIA DO AMAPÁ – META
PROF. WESLLEY
LIEVERSON
RADIOPROTEÇÃO
1.
INTRODUÇÃO
Tendo em vista os danos biológicos causados pela
exposição à radiação, tornou-se necessário estabelecer meios de proteção aos
que trabalham com a radiação e à população em geral.
Foram criados organismos internacionais como a
“INTERNATIONAL COMMISSION ON RADIOLOGICAL PROTECTION” (ICRP) e a “INTERNATIONAL
COMMISSION ON RADIATION UNITS AND MEASUREMENTE” (ICRU), que definem as
grandezas de medida da radiação e suas unidades e estabelecem os limites
máximos permissíveis de dose para os que trabalham com radiação e para o
público em geral.
E NO BRASIL?
No Brasil, a Comissão Nacional de Energia Nuclear
(CNEN) é a responsável pela legislação e pela fiscalização do uso da radiação.
Ela elaborou normas, conhecidas como “Normas Básicas de Proteção Radiológica”, que
regem o uso da radiação no país.
GRANDEZAS DE RADIAÇÃO
Três grandezas físicas são definidas para medir a
radiação:
Ø Exposição
Ø Dose absorvida
Ø Dose equivalente
TABELA DE QUALIDADE PARA DIFERENTES TIPOS DE
RADIAÇÃO
|
Tipo de radiação
|
Fator de qualidade Q
|
|
Raios x, raios gama e elétrons
|
1
|
|
Nêutrons e prótons
|
10
|
|
Partículas alfa e de carga superior a 1
|
20
|
LIMITES
MÁXIMOS PERMISSÍVEIS
Os limites máximos permissíveis são estabelecidos
de forma a restringirem os efeitos somáticos nos indivíduos expostos, na sua
descendência direta e na população como um todo.
A CNEN e a ICRP recomendam, então limites de doses
equivalentes para os trabalhadores com radiação e para o público em geral.
v Trabalhador – é
qualquer indivíduo adulto que poderá ser irradiado, de maneira regular ou
ocasional, durante e em conseqüência de seu trabalho.
v Indivíduos do público – essa categoria é caracterizada por
indivíduos que vivem nas imediações de instalações nucleares.
v População como um todo – população inteira, compreendendo
trabalhadores, indivíduos do público e a população geral.
v População geral – população na sua parte maior e comum, excluindo
trabalhadores e indivíduos do público.
PRECAUÇÕES
Visam evitar exposições internas ou exposições
externas
Enfatizaremos as precauções para exposições
externas...
EXPOSIÇÕES
EXTERNAS
Ocorre quando o organismo for irradiado por uma
fonte externa a ele. Três fatores devem ser levados em conta para diminuir o
risco devido a essas exposições:
Ø Tempo (t)
Ø Distância (d).
Ø Blindagens apropriadas.
De uma forma geral, pode-se dizer que a exposição X
é diretamente proporcional ao tempo e inversamente proporcional ao quadrado da
distância em relação à fonte, considerada como puntiforme, isto é:
Para diminuir as exposições externas, as seguintes
precauções devem ser tomadas:
Ø Permanecer o mínimo tempo possível próximo à fonte de radiação;
Ø Trabalhar à máxima distância possível da fonte;
Ø Usar blindagens adequadas, para diminuir ou para atenuar completamente
a radiação.
DOSE EQUIVALENTE
EFETIVA
|
Classe
popular
|
Limite
máximo permissível
|
|
Trabalhadores
com radiação
|
50mSv/ano
|
|
Indivíduos
do público
|
5mSv/ano
|
|
Gestantes
(superfície do abdome)
|
2mSv/gestação
|
|
Feto
|
1mSv/gestação
|
|
Estudantes
entre 16-18 anos (estagiários)
|
0,006Sv/ano
|
DOSE EFETIVA
PARA EXTREMIDADES
|
Classe
popular
|
Dose
|
|
Trabalhadores
com radiação
|
0,5
Sv/ano
|
|
Estudantes
|
0,15
Sv
|
DOSÍMETROS
São monitores individuais de dose, pessoais e
intransferíveis, e servem para quantificar a exposição do operador (técnico,
tecnólogo, médico) à radiação ionizante na jornada de trabalho.
DOSÍMETRO PADRÃO
Dosímetro de leitura indireta, mantido fora do
alcance da radiação produzida no serviço, utilizado como base para correção da
radiação de fundo nos dosímetros individuais, incluindo qualquer exposição
durante o trajeto.
PARA ONDE SÃO
ENVIADOS OS DOSÍMETROS?
São enviados para instituições nacionais
credenciadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), para a sua
calibração e avaliação, normalmente, a cada mês.
ONDE DEVEMOS
POSICIONAR DOSÍMETRO?
A monitoração geralmente é feita com dosímetro na
forma de crachá, posicionado na parte mais exposta à radiação, geralmente no
tórax. A portaria 453 recomenda que o dosímetro deve
estar posicionado na área mais exposta do tronco. No caso da utilização de avental de plumbífero, deve ser posicionado na
lapela, por fora do avental.
FILMES
DOSIMÉTRICOS
A radiação produz alterações na densidade
(enegrecimento) do filme revelado. Desta forma pode-se quantificar a exposição
de radiação.
O uso de filtros ajuda a separar exposições de
radiações menos penetrantes (beta) de daquelas mais penetrantes (gama).
DOSÍMETROS
TERMOLUMINESCENTES
O material termoluminescente utilizado é baseado no
uso de cristais nos quais a radiação ionizante cria pares de elétrons e
lacunas. A partir de um processo térmico, fótons são liberados, podendo ser
coletados por uma fotomultiplicadora. A quantidade de fótons liberados é
proporcional a população original de cargas.
1. EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO
Decorrem do poder de ionização da radiação. A
ionização pode causar danos diretos e indiretos. Podem ainda ser
divididos em somáticos e hereditários.
EFEITOS
SOMÁTICOS
São aqueles que não são transmitidos às linhagens
seguintes. Dividem-se em:
Imediatos – podem ser observados pouco tempo após o
organismo ser submetido a altas doses de radiação por um curto período de
tempo. Ex. SAR
Tardios – podem ser observados após um período de
latência (20 anos ou mais). Ex. CA
EFEITOS
HEREDITÁRIOS OU GENÉTICOS
São transmitidos aos descendentes dos indivíduos
irradiados por alterações introduzidas na molécula de DNA.
Entre os efeitos hereditários podemos citar:
anidria (ausência da íris do olho), albinismo, hemofilia, daltonismo, síndrome
de Down.
EFEITO
TERATOGÊNICO
Podem ocorrer a partir da exposição de embriões ou
fetos à radiação, determinando alterações na formação do organismo.
MECANISMOS
DE AÇÃO DAS RADIAÇÕES IONIZANTES
Os efeitos biológicos produzidos pela ação das
radiações ionizantes no organismo humano são resultantes da interação dessas
radiações com os átomos e as moléculas do corpo. Nessa interação, o primeiro fenômeno que ocorre é físico e
consiste na ionização e na excitação dos átomos, resultante da troca de energia
entre a radiação e a matéria. Seguindo-se a este, ocorre o fenômeno químico
que consiste de rupturas de ligações químicas nas moléculas. A seguir aparecem
os fenômenos bioquímicos e fisiológicos. Após um intervalo de tempo
variável aparecem as lesões observáveis, que podem ser no nível celular ou no
nível do organismo como um todo. Na maioria das vezes, devido à recuperação do
organismo, os efeitos não chegam a tornar-se visíveis ou detectáveis.
Um dos processos mais importantes de interação da
radiação no organismo humano é com as moléculas de água. Esta importância é consequência
da quantidade de água presente no organismo humano (aproximadamente 70 % do
corpo humano).
Quando a radiação interage com as moléculas de água
do organismo humano, essas moléculas se quebram formando uma série de produtos
danosos ao organismo, como os radicais livres e a água oxigenada. Esse processo
é chamado de radiólise da água.
CARACTERÍSTICAS
GERAIS DOS EFEITOS BIOLÓGICOS DAS RADIAÇÕES IONIZANTES
Estão ligadas ao tipo e tempo de resposta no
organismo, bem como a capacidade de recuperação ou transmissão desses mesmos, a
dose recebida e a sensibilidade do tipo de tecido afetado.
Especificidade – Os efeitos biológicos
das radiações ionizantes podem ser provocados por outras causas que não as
radiações, isto é, não são característicos ou específicos das radiações
ionizante. Outros agentes físicos, químicos ou biológicos podem causar os
mesmos efeitos. Exemplo: O câncer é um tipo de efeito que pode ser causado
tanto pelas radiações ionizantes como por outros agentes.
Tempo de latência – É o tempo que decorre
entre o momento da irradiação e o aparecimento de um dano biológico visível. No
caso da dose de radiação ser alta, esse tempo é muito curto. Os danos
decorrentes da exposição crônica, doses baixas com tempo de exposição longo,
podem apresentar tempos de latência da ordem de dezenas de anos. O tempo de
latência é inversamente proporcional à dose.
Reversibilidade – Os
efeitos biológicos causados pelas radiações ionizantes podem ser reversíveis. A
Reversibilidade de um efeito dependerá do tipo de célula afetada e da
possibilidade de restauração desta célula. Existem, porém, os danos
irreversíveis como o câncer e as necroses.
Transmissibilidade – A maior parte das
alterações causadas pelas radiações ionizantes que afetam uma célula ou um
organismo não são transmitidos a outras células ou outros organismos. Devemos,
porém, citar os danos causados ao material genético das células dos ovários e
dos testículos. Esses danos podem ser transmitidos hereditariamente por meio da
reprodução.
Dose limiar – Certos efeitos biológicos necessitam, para se
manifestar, que a dose de radiação seja superior a um valor mínimo , chamada de
dose limiar. Temos também os efeitos que não necessitam de uma dose mínima para
se manifestar. Como exemplo podemos citar a anemia cuja dose limiar é de 1 Sv e
todas as formas de câncer que teoricamente não necessitam de uma dose limiar.
Radiossensibilidade – Nem todas as células,
os tecidos, os órgãos e os organismos respondem igualmente à mesma dose de
radiação. As diferenças de sensibilidade observadas seguem a “lei de Bergonie e
Tribondeau” a qual diz: “a radiossensibilidade das células é diretamente
proporcional a sua capacidade de reprodução e inversamente proporcional ao seu
grau de especialização”. Por exemplo, a pele e as células produtoras de sangue.
1.
CLASSIFICAÇÃO
DOS EFEITOS BIOLÓGICOS
Podem ser classificados de acordo com as condições
sob as quais eles aparecem, em:
Determinísticos – Os efeitos
determinísticos são aqueles cuja gravidade aumenta com o aumento da dose e para
os quais existe um limiar de dose, como exemplo podemos citar a anemia, a
catarata, as radiodermites etc. A curva característica deste tipo de efeito é
mostrada na figura ao lado. Resumo: relação direta dose-efeito.
Estocásticos – Os efeitos estocásticos são aqueles para os
quais a probabilidade de ocorrência é função da dose, não apresentando dose
limiar. Como exemplo, podemos citar o câncer e os efeitos hereditários. Resumo:
relação probabilística dose-efeito.
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