quinta-feira, 10 de maio de 2012

Medicina Nuclear em Foco - parte II



Cintilografias da tiróide realizadas utilizando o I-131, o I-123 e o Tc-99m. Observa-se uma melhor qualidade de imagem quando se utiliza o I-123 ou o Tc-99m. Nota-se, também, radiação de fundo mais expressiva quando se utiliza o Tc-99m.  o I-131 não apresenta características físicas ideais para a realização de imagens da tiróide devido à alta energia da radiação gama emitida (360 KeV), que está acima daquela considerada ideal para as câmaras-gama utilizadas atualmente. O I-123 é considerado atualmente o radiofármaco ideal tanto para a realização da captação como para a realização de imagens cintilográficas da glândula tiróide. O Tc-99m tem como sua grande vantagem o seu baixíssimo custo, a sua grande disponibilidade, e as suas características físicas ideais para a realização de imagens em gama-câmara.
1.        RADIOFARMÁCIA

O QUE É UM RADIOFÁRMACO?
Radiofármaco é um fármaco, produto biológico ou droga que contém um elemento radioativo. O radiofármaco é primariamente utilizado para obtenção de imagem como agente diagnóstico mas pode também ser usado no tratamento de enfermidades.
Radionuclídeo + fármaco
FARMACOCINÉTICA
Etapa corresponde ao estudo da evolução temporal do movimento do fármaco in vivo , que esquematicamente pode resumir-se nos processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção de fármacos. Esta fase consiste, portanto, na identificação e quantificação da passagem do fármaco pelo organismo.
FARMACODINÂMICA
Estuda a interação de um fármaco específico com seu receptor, ou seja, a ação do fármaco em seu sítio receptor com as alterações moleculares e celulares correspondentes (efeito farmacológico), o que culmina no aparecimento do efeito terapêutico requerido.
RADIONUCLÍDEOS
Átomos com núcleos instáveis, que emitem radiação, podem ligar-se quimicamente a outras moléculas que apresentam uma afinidade particular para determinado processo fisiológico, órgão ou tecido dos organismos.
Existem dois tipos de radionuclídeos:
         Os naturais – que são encontrados na natureza. Ex: Th-232 e U-235
         Os artificiais – que são produzidos pelo homem, em reator nuclear ou acelerador de partículas. Ex: I-131, Cr-51 no reator e Ga-67, F-18 no ciclotron.
RADIOQUÍMICO ≠ RADIOFÁRMACO
Quando um radionuclídeo se combina com uma molécula química e tem propriedades de localização desejadas.
O termo radiofármaco é reservado para materiais radioativos que preenchem os requisitos para serem administrados a pacientes. (isto requer adição, ao radioquímico, de agentes estabilizadores e de tamponamento).
TERMOS BÁSICOS
Livre de carreador – significa que o radionuclídeo não é contaminado por nuclídeos instáveis ou radioativos do mesmo elemento.
Atividade específica – refere-se à radioatividade por unidade de peso (mCi/mg).
Concentração específica – é definida como atividade por unidade de volume (mCi/ml).
OBS.: A riqueza da capacidade diagnóstica em MN reside na diversidade dos radiofármacos disponíveis. O termo traçador é melhor porque implica a habilidade de estudar ou seguir um processo sem alterá-lo.
         Radiofármacos têm a propriedade altamente desejável de não perturbar a função, ao contrário de outros tipos de drogas diagnósticas.
         A maioria dos radiofármacos é uma combinação  de um componente radioativo que permite a detecção externa de uma porção biologicamente ativa ou um componente de droga que é responsável pela biodistribuição.
         Para alguns agentes, tais como os gases inertes radioativos, os radioiodos, o gálio-67 e o tálio-201, são os átomos em si, que possuem as propriedades desejadas para a localização, dispensando assim um componente químico maior.
         A compreensão do mecanismo ou razão física para o uso de cada agente é um ponto crítico para entender achados normais ou patológicos demonstrados na cintilografia.
CARACTERÍSTICAS DOS RADIOFÁRMACOS IDEAIS
         Energias entre 100 e 200 keV são ideais para a gama-câmara.
         A meia-vida efetiva deve ser longa o bastante para a aplicação desejada,
         Os marcadores ideais não devem emitir partículas.
         A atividade específica deve ser alta.
Obs.: o tecnécio 99m é popular como marcador porque praticamente preenche todos estes requisitos.
         Olhando pela perspectiva do fármaco, as características ideais incluem uma biodistribuição adequada para atingir o objetivo, ausência de toxicidade ou efeito secundário;
         Os radiofármacos não devem sofrer dissociação nem in vivo nem in vitro;
         Devem estar facilmente disponíveis, ser fáceis de marcar e de custo razoável.
PRODUÇÃO DE RADIONUCLÍDEOS
Hoje todo os radionuclídeos de uso clínico são produzidos no reator nuclear, em ciclotrons ou outro tipo de acelerador. Radionuclídeos que ocorrem na natureza têm meia-vida longa, são pesados e tóxicos; incluem o urânio, o actínio, o tório, o rádio e o radônio. Nenhum deles têm aplicação clínica ou diagnóstica em medicina nuclear.
A ativação por nêutrons do molibdênio-98 foi o primeiro método usado para obter o molibdênio-99 para o sistema gerador de Tc-99.
Bombardeio por nêutrons do urânio-235 enriquecido resulta em produtos de fissão situados no meio da tabela periódica; por exemplo o Mo-99 é obtido hoje pela reação de fissão.
GERADORES DE RADIONUCLÍDEOS
Uma das questões práticas enfrentadas pela MN é o desejo de utilizar nuclídeos de meia-vida curta (horas versus dias ou semanas) e ao mesmo tempo a necessidade de ter radiofármacos entregues de forma comercial em hospitais e clínicas.
*        Uma forma prática de contornar este problema é o sistema de gerador de radionuclídeo.
*        Radionuclídeo pai de meia vida longa com filho de meia vida curta
*        Com esta combinação o gerador pode ser entregue em lugares distantes e o radionuclídeo.
*        Ex.: sistema gerador de Mo-99/Tc-99m que está em toda parte na prática clínica.
SISTEMA GERADOR DE MO-99/TC-99
O Mo-99 é produzido pela fissão do U-235 (e este produto é casualmente referido como “fusion-moly). A reação é a seguinte:
U-235 (n, fissão) → Mo-99
Após a produção do Mo99 em reator, ele é quimicamente purificado e passa por uma coluna de troca de aniônica composta de alumina
(Al2O3). A coluna é ajustada para um pH ácido para promover a ligação. A carga positiva da alumina faz uma ligação firme com o molibdato. A coluna carregada é colocada num continente de chumbo, com dois tubos inseridos nas extremidades da coluna para permitir a sua eluição. Antes de ser comercializado e enviado ao destinatário, o sistema gerador é autoclavado e é feito um controle de qualidade da eluição.
GERADOR – FUNCIONAMENTO E RENTABILIDADE
O gerador pode ser eluído ou “ordenhado” mais de uma vez ao dia; A segunda eluição do dia será no máximo de 50% se for feita 4,5 horas após, ou de 75% após 8,5 horas após a primeira eluição.

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